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Transparência salarial

Transparência salarial na Europa: regras por país e estratégia de RH

A Áustria exige o salário nos anúncios desde 2011, Espanha tem o registo retributivo, França um índice de igualdade e a Noruega listas fiscais públicas. Veja como se compara o mosaico europeu e como uma empresa presente em vários países o pode gerir.

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Grande plano da bandeira da UE impressa numa nota de euro

A transparência salarial na Europa não é uma regra única, mas um mosaico de tradições nacionais que a UE está agora a tentar alinhar. A Áustria exige informação salarial nos anúncios de emprego desde 2011, Espanha obriga todas as empresas a manter um registo retributivo, França publica um índice de igualdade para cada empresa com 50 ou mais trabalhadores e, na Noruega, qualquer pessoa pode consultar o rendimento tributável do vizinho. Entretanto, em países como a Alemanha ou a Itália, a maioria dos anúncios continua a não dizer nada sobre o salário.

A Diretiva europeia de transparência salarial (2023/970) fixa regras mínimas comuns: informação salarial para os candidatos antes da entrevista, proibição de perguntas sobre o histórico salarial, direitos de informação para os trabalhadores e relatórios sobre a disparidade salarial de género. O prazo de transposição terminou a 7 de junho de 2026, mas as suas obrigações aplicam-se apenas através das leis nacionais depois de transposta, e os países podem manter regras que vão mais longe. Para as equipas de RH que recrutam em vários países, isso significa gerir ao mesmo tempo as regras nacionais existentes e as novas.

Este guia compara os principais países europeus, mostra o que os dados de anúncios de emprego da TalentUp revelam sobre a divulgação salarial por família de funções e propõe uma estratégia para empresas presentes em vários países.

Pontos-chave

  • Antes da Diretiva, apenas alguns países exigiam o salário nos anúncios: a Áustria (desde 2011), a Lituânia (desde 2019) e, para a fase anterior à entrevista, a Polónia (desde dezembro de 2025).
  • Os relatórios remuneratórios são muito mais comuns: Espanha, França, Itália, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Irlanda e Reino Unido já tinham os seus próprios regimes sobre disparidade de género, com limiares e formatos diferentes.
  • Os países nórdicos acrescentam uma camada cultural: os registos fiscais públicos tornam visíveis os rendimentos individuais na Noruega, na Finlândia e, em parte, na Suécia.
  • Os dados da TalentUp mostram o efeito da lei: cerca de 58% dos anúncios austríacos indicam o salário em 2026, contra cerca de 22% na Alemanha, e a diferença mantém-se em RH, TI, vendas e finanças.
  • As empresas presentes em vários países devem desenhar segundo o padrão mais exigente que enfrentam, assente numa arquitetura de funções comum, em vez de atuarem país a país.

Porque é que a transparência salarial na Europa é tão desigual

A transparência remuneratória na Europa nasceu de três tradições diferentes, o que explica porque é que as regras mudam tanto de uma fronteira para outra:

  • Regras sobre anúncios de emprego, que dão aos candidatos informação salarial antes de se candidatarem. A Áustria é o exemplo clássico.
  • Relatórios sobre a disparidade remuneratória de género, que obrigam os empregadores a medir e divulgar as disparidades salariais, interna ou publicamente. É o modelo mais difundido: Espanha, França, Alemanha, Itália, Irlanda, Dinamarca e Reino Unido aplicam alguma versão.
  • Registos públicos de rendimentos, uma tradição nórdica em que são os dados fiscais, e não os relatórios dos empregadores, que tornam a remuneração visível.

A contratação coletiva acrescenta uma quarta camada, informal. Onde a maioria das funções está abrangida por uma convenção coletiva com tabelas salariais publicadas, como na Áustria ou na Alemanha, grande parte da remuneração já é conhecida mesmo que o anúncio não diga nada. Onde o salário é fixado individualmente, o anúncio é muitas vezes o único sítio onde um candidato o poderia conhecer.

No entanto, as convenções coletivas não cumprem automaticamente o critério de trabalho de igual valor exigido pela Diretiva. Christine Aumayr-Pintar, gestora de investigação na Eurofound, a agência da UE para as condições de vida e de trabalho, apresentou assim a sua investigação sobre a forma como os parceiros sociais podem tornar objetivas e neutras do ponto de vista do género as tabelas salariais das convenções coletivas:

Christine Aumayr-PintarGestora de investigação, Eurofound

O seu papel é importante, mas as nossas conclusões mostram que rever as classificações profissionais e corrigir disparidades salariais injustificadas nas convenções coletivas é muitas vezes um processo demorado. A deriva salarial, as negociações individuais e a ausência de tabelas salariais podem tornar esta tarefa ainda mais difícil.

Janeiro de 2026 · Traduzido do inglês Ler no LinkedIn →

A Diretiva da UE não apaga estas tradições. Fixa um patamar mínimo que todos os Estados-Membros têm de atingir e permite que cada país mantenha o que já vai mais longe.

Comparação por país: leis de transparência salarial na Europa

A tabela resume as principais regras que existiam em cada país antes da transposição da Diretiva ou a par dela. É uma visão geral, não aconselhamento jurídico: os limiares e os pormenores mudam, por isso consulte a lei nacional em vigor. Para o estado de transposição da própria Diretiva, consulte o nosso guia sobre a lei de transparência salarial da UE de 2026.

País Salário nos anúncios Relatórios e auditorias remuneratórias Acesso dos trabalhadores a dados salariais
Áustria Obrigatório desde 2011: remuneração mínima segundo a convenção coletiva ou a lei, mais a eventual disponibilidade para pagar acima Relatório interno de rendimentos de 2 em 2 anos para empregadores com mais de 150 trabalhadores Relatório partilhado com a comissão de trabalhadores ou acessível ao pessoal
Lituânia Obrigatório desde 2019: salário base ou intervalo salarial em todos os anúncios Dados salariais desagregados por sexo para os representantes dos trabalhadores em empregadores com 20 ou mais trabalhadores Através dos representantes dos trabalhadores
Polónia Salário inicial ou intervalo antes da primeira entrevista desde 24 de dezembro de 2025 (não necessariamente no anúncio) Previstos com a Diretiva Perguntas sobre o histórico salarial proibidas desde dezembro de 2025
Espanha Não obrigatório Registo retributivo para todas as empresas (desde 2021); auditoria retributiva para as empresas obrigadas a ter plano de igualdade (50 ou mais trabalhadores) Através dos representantes dos trabalhadores; caso contrário, diferenças percentuais por sexo
França Não obrigatório Index de l’égalité professionnelle: as empresas com 50 ou mais trabalhadores publicam todos os anos, até 1 de março, uma pontuação em 100 Índice publicado; medidas corretivas abaixo de 75 pontos
Alemanha Não obrigatório Relatórios sobre igualdade salarial para empregadores com mais de 500 trabalhadores obrigados a publicar um relatório de gestão Direito individual à informação em empregadores com mais de 200 trabalhadores (desde 2017)
Itália Não obrigatório Relatório bienal sobre o pessoal masculino e feminino para empresas com mais de 50 trabalhadores (limiar reduzido de 100 em 2021) Partilhado com os representantes sindicais e as conselheiras regionais para a igualdade
Dinamarca Não obrigatório Estatísticas salariais desagregadas por sexo para empresas com pelo menos 35 trabalhadores e 10 homens e 10 mulheres na mesma função Estatísticas apresentadas aos trabalhadores, ou um relatório de igualdade salarial acordado com eles
Irlanda Não obrigatório Relatórios públicos sobre a disparidade salarial de género: 250 ou mais trabalhadores desde 2022, 150 ou mais desde 2024, 50 ou mais desde 2025 Relatórios publicados
Reino Unido (fora da UE) Não obrigatório Relatórios públicos sobre a disparidade salarial de género para empregadores com 250 ou mais trabalhadores desde 2017 Relatórios publicados num portal do Governo
Noruega (fora da UE) Não obrigatório Não é a principal alavanca Listas fiscais públicas: rendimento líquido, património e impostos pagos de cada contribuinte
Finlândia Não obrigatório Não é a principal alavanca Informação fiscal pública divulgada todos os anos em novembro
Suécia Não obrigatório Não é a principal alavanca Rendimento total do trabalho público mediante pedido (rendimentos salariais em separado só até ao ano de rendimentos de 2022)

Surgem três grupos. A Áustria e a Lituânia já funcionam como a Diretiva pretende no recrutamento. Espanha, França, Itália, Irlanda e Reino Unido têm culturas de reporte maduras, mas pouca transparência nos anúncios. A Alemanha fica a meio caminho: existe um direito à informação, mas apenas nas empresas maiores, e os anúncios raramente mencionam o salário.

Pioneiros nos anúncios de emprego: Áustria, Lituânia e Polónia

Áustria: remuneração mínima em todos os anúncios desde 2011

Desde março de 2011, a Lei da Igualdade de Tratamento austríaca (Gleichbehandlungsgesetz, § 9) obriga empregadores e agências de recrutamento a indicar nos anúncios a remuneração mínima aplicável à função segundo a convenção coletiva ou a lei, e a referir se estão dispostos a pagar mais. O incumprimento leva primeiro a uma advertência e depois a uma coima. A obrigação é ligeira por natureza: o mínimo é muitas vezes a tabela da convenção coletiva e não o orçamento real, razão pela qual muitos anúncios austríacos dizem “mínimo de 3 200 € brutos por mês, com disponibilidade para pagar acima consoante a experiência”.

Ainda assim, a regra mudou comportamentos. Como mostra a secção de dados mais abaixo, os anúncios austríacos indicam o salário muito mais vezes do que os de qualquer país vizinho. O guia de transparência salarial para a Áustria da TalentUp detalha as regras nacionais.

Lituânia: intervalos salariais desde 2019

A Lituânia alterou o seu Código do Trabalho em 2019 para que os anúncios indiquem o salário base mensal ou horário proposto, ou o intervalo salarial, excluindo suplementos e prémios, em todos os canais utilizados. Segundo a figures.hr, a Lituânia foi também um dos primeiros países a transpor por completo a Diretiva, com os novos requisitos em vigor desde 7 de junho de 2026. Consulte o nosso guia de transparência salarial da Lituânia.

Polónia: um arranque antecipado no recrutamento

A Polónia não esperou pela transposição completa. Desde 24 de dezembro de 2025, o Código do Trabalho obriga os empregadores a informar os candidatos do salário inicial ou do intervalo salarial antes da primeira entrevista, a usar anúncios e designações de funções neutros em termos de género e a não perguntar pelo salário no emprego atual ou nos anteriores. Publicar o intervalo no anúncio é uma forma de cumprir, não uma obrigação. Saiba mais no nosso guia de transparência salarial da Polónia.

Culturas de reporte: Espanha, França, Alemanha, Itália e não só

Espanha: registo retributivo e auditoria retributiva

O Real Decreto 902/2020, em vigor desde abril de 2021, obriga todas as empresas, independentemente da dimensão, a manter um registo retributivo com a média e a mediana da remuneração por sexo e categoria profissional, desagregadas por componente remuneratória. As empresas obrigadas a ter um plano de igualdade (50 ou mais trabalhadores) realizam ainda uma auditoria retributiva com avaliação de funções e plano de ação, e têm de justificar no registo qualquer diferença de 25% ou mais na remuneração média entre homens e mulheres. As regras espanholas estão, por isso, próximas da lógica de reporte da Diretiva, embora os anúncios raramente mencionem o salário. Consulte o nosso guia de transparência salarial de Espanha.

Ter um registo retributivo não significa que as empresas espanholas estejam habituadas a falar de salários. Paz de la Iglesia, sócia de Direito do Trabalho da A&O Shearman em Madrid, sublinhou-o na análise transfronteiriça da Diretiva publicada pela sociedade:

Paz de la Iglesia Paz de la IglesiaSócia de Direito do Trabalho, A&O Shearman (Madrid)

Em Espanha, as pequenas e médias empresas e os setores com maiores disparidades de género – como a indústria, a saúde e os serviços – vão enfrentar os maiores ajustamentos. A ideia de informar candidatos e trabalhadores sobre as práticas remuneratórias é simplesmente território novo para muitos.

Março de 2026 · Traduzido do inglês Ler no LinkedIn →

França: o Index de l’égalité professionnelle

Desde 2019–2020, as empresas com 50 ou mais trabalhadores em França calculam e publicam todos os anos um índice de igualdade de género até 1 de março. O índice atribui à empresa uma pontuação em 100 com base em indicadores como a disparidade salarial, os aumentos e as promoções. Abaixo de 75 pontos, a empresa tem de adotar medidas corretivas e, se não melhorar em três anos, pode ser multada em até 1% da sua massa salarial. O reporte mais detalhado da Diretiva vai alterar este modelo quando a lei francesa de transposição se aplicar. Consulte o guia de transparência salarial de França.

Alemanha: direito à informação desde 2017

A Lei da Transparência Salarial alemã (Entgelttransparenzgesetz) dá aos trabalhadores de empregadores com mais de 200 trabalhadores o direito de perguntar como a sua remuneração se compara com a de colegas do outro sexo que realizam trabalho igual ou equivalente. Os empregadores com mais de 500 trabalhadores são incentivados a realizar auditorias salariais internas, e os que têm de publicar um relatório de gestão reportam também sobre igualdade salarial. A Diretiva vai alargar os direitos de informação a todos os empregadores, independentemente da dimensão. Consulte o guia de transparência salarial da Alemanha.

Itália, Dinamarca, Irlanda e Reino Unido

  • Itália: as empresas com mais de 50 trabalhadores apresentam ao Ministério do Trabalho um relatório bienal sobre o pessoal masculino e feminino, que abrange recrutamento, funções e remuneração. A Itália está entre os países que transpuseram a Diretiva em junho de 2026, segundo a figures.hr e a Euronews. Consulte o guia de Itália.
  • Dinamarca: a Statistics Denmark elabora todos os anos estatísticas salariais desagregadas por sexo para as empresas com pelo menos 35 trabalhadores e pelo menos 10 homens e 10 mulheres na mesma função, que têm de ser apresentadas aos trabalhadores. Em alternativa, as empresas podem acordar com o pessoal um relatório de igualdade salarial.
  • Irlanda: a Gender Pay Gap Information Act 2021 introduziu a divulgação pública das disparidades na remuneração horária média e mediana, das disparidades nos prémios e da percentagem de trabalhadores que recebem prémios, de forma faseada desde 250 ou mais trabalhadores (2022) até 50 ou mais trabalhadores (2025).
  • Reino Unido: fora da UE e não vinculado pela Diretiva, o Reino Unido exige desde 2017 que os empregadores com 250 ou mais trabalhadores publiquem todos os anos a sua disparidade salarial de género.

O modelo nórdico: registos fiscais públicos

Os países nórdicos são muitas vezes descritos como os mais transparentes da Europa, mas essa transparência vem dos registos fiscais e não dos empregadores:

  • A Noruega publica listas fiscais pesquisáveis com o nome, o ano de nascimento, o rendimento líquido, o património líquido e os impostos pagos de cada contribuinte; estão online desde 2001 e as pesquisas exigem um acesso autenticado.
  • A Finlândia publica todos os anos em novembro a informação pública sobre o imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, e a administração fiscal partilha com a comunicação social os dados dos rendimentos mais elevados.
  • A Suécia trata a informação fiscal como registo público, que qualquer pessoa pode pedir à Autoridade Tributária. Desde o ano de rendimentos de 2023, apenas o rendimento total do trabalho é público, e já não os rendimentos salariais em separado.

Esta visibilidade molda as atitudes: falar de rendimentos é menos tabu e os trabalhadores podem verificar aproximadamente quanto ganham chefias ou colegas. Mas as listas fiscais mostram o rendimento anual total, não a remuneração por função, e nada dizem sobre os intervalos salariais de uma vaga. Não substituem as obrigações que a Diretiva impõe aos empregadores: a Dinamarca e a Finlândia, por exemplo, estão a transpô-la com leis previstas para 2027, segundo a figures.hr.

O que mostram os dados da TalentUp: salário nos anúncios por família de funções

As regras nacionais mudam o que os empregadores publicam realmente? Para o descobrir, a TalentUp analisou anúncios de emprego publicados entre janeiro e setembro de 2026 em sete países, divididos por família de funções: RH, TI, vendas e finanças. Os valores são estimativas mínimas da percentagem de anúncios que indicam um salário.

~58%

dos anúncios na Áustria indicam o salário

~22%

fazem-no na Alemanha, ~27% em Espanha e ~17% em Itália

5x

mais anúncios de TI austríacos do que alemães indicam um salário (62,9% contra 12,2%)

Fonte: base de dados de anúncios de emprego da TalentUp, janeiro–setembro de 2026. Estimativas mínimas, consulte a metodologia mais abaixo.

Família de funções Áustria Países Baixos Reino Unido França Espanha Alemanha Itália
RH 62,5% 54,2% 64,7% 26,1% 18,8% 27,4% 17,6%
TI 62,9% 38,2% 51,9% 17,6% 13,7% 12,2% 14,2%
Vendas 57,1% 41,7% 48,3% 27,8% 20,1% 18,1% 18,8%
Finanças 57,6% 42,1% 48,0% 15,9% 18,6% 12,1% 15,5%

Percentagem de anúncios que indicam o salário, por família de funções (deteção mais rigorosa do que nos totais por país; consulte a metodologia).

Destacam-se três conclusões:

  • A lei nota-se nos dados. A Áustria é o único país da amostra com uma obrigação de longa data de indicar o salário nos anúncios, e o único em que todas as famílias de funções estão acima de 55%. A Alemanha partilha com a Áustria a língua, muitos empregadores e uma cultura de contratação coletiva e, no entanto, apenas 12–27% dos seus anúncios indicam o salário. A diferença é maior em TI: 62,9% na Áustria contra 12,2% na Alemanha.
  • Sem obrigação legal, decide a cultura. O Reino Unido e os Países Baixos chegam a cerca de 50–58% dos anúncios sem qualquer obrigação de publicar o salário no anúncio, enquanto França, Espanha, Alemanha e Itália ficam por volta dos 17–27%. Muitos anúncios austríacos citam apenas o mínimo da convenção coletiva, por isso “indica o salário” nem sempre significa um intervalo realista, mas o hábito está instalado.
  • TI e finanças são as famílias mais opacas. Na maioria dos países, os anúncios de TI ou de finanças são os que menos indicam o salário, um padrão coerente com a remuneração negociada individualmente em funções especializadas. Os anúncios de RH estão entre os mais transparentes na Alemanha, nos Países Baixos e no Reino Unido, possivelmente porque muitas funções de RH e de recrutamento são anunciadas por empresas de trabalho temporário, que costumam indicar o salário.

Para as equipas de RH, a lição é que a obrigação de informar antes da entrevista imposta pela Diretiva será uma mudança maior para o recrutamento em TI e finanças em França, Espanha, Alemanha e Itália do que para as funções de RH no Reino Unido ou para qualquer função na Áustria. Para ver a percentagem de anúncios com salário em todas as famílias de funções e em dez países, consulte a nossa análise dos anúncios de emprego com salário transparente.

Como a Diretiva da UE harmoniza o mapa

Depois de transposta, a Diretiva dá a todos os países da UE o mesmo conjunto base de ferramentas. A tabela compara o seu padrão mínimo com exemplos de regras nacionais que já existiam:

Obrigação Mínimo da Diretiva (depois de transposta) Exemplos nacionais existentes
Informação salarial para os candidatos Salário inicial ou intervalo antes da entrevista, no anúncio ou de outra forma A Áustria e a Lituânia exigem-no no anúncio; a Polónia, antes da primeira entrevista desde dezembro de 2025
Perguntas sobre o histórico salarial Proibidas Proibidas na Polónia desde dezembro de 2025
Direito à informação dos trabalhadores Todos os empregadores, de qualquer dimensão: nível remuneratório próprio e remuneração média por sexo para o mesmo trabalho ou trabalho de igual valor Alemanha: apenas em empregadores com mais de 200 trabalhadores
Relatórios sobre a disparidade salarial de género 250 ou mais trabalhadores, anualmente desde 7 de junho de 2027; 150–249, de 3 em 3 anos desde 7 de junho de 2027; 100–149, de 3 em 3 anos desde 7 de junho de 2031 França e Irlanda a partir de 50 trabalhadores, Itália acima de 50, Dinamarca a partir de 35, registo retributivo de Espanha para todas as empresas
Correção de disparidades Avaliação conjunta das remunerações se uma disparidade injustificada de 5% ou mais não for corrigida em 6 meses Espanha: justificação de diferenças de 25% ou mais; França: medidas corretivas abaixo de 75 pontos
Sigilo salarial Os trabalhadores não podem ser impedidos de divulgar a sua remuneração para efeitos de igualdade salarial A Chéquia proibiu as cláusulas de sigilo salarial em junho de 2025
Ações por igualdade salarial O ónus da prova passa para o empregador Varia de país para país antes da transposição

O resultado é convergência, não uniformidade. Os países que já vão mais longe, como a Áustria com a sua regra sobre anúncios ou a França e a Irlanda com limiares de reporte mais baixos, podem manter as suas regras, e as leis de transposição diferem nos pormenores. O calendário também varia: em setembro de 2026, a figures.hr e a Euronews indicavam que apenas cinco Estados-Membros (Itália, Lituânia, Malta, Eslováquia e Grécia) tinham transposto por completo a Diretiva, com muitos outros a apontar para 2027. Para saber em detalhe o que a Diretiva exige, consulte o nosso guia completo para se preparar para a Diretiva europeia de transparência salarial.

Estratégia para empresas presentes em vários países

Para uma empresa que recruta em cinco ou dez países europeus, gerir cada país separadamente torna-se rapidamente impraticável. Uma abordagem mais robusta:

  1. Mapeie as obrigações por país e mantenha o mapa atualizado. Liste, para cada país, a regra sobre anúncios, o limiar de reporte, o calendário de relatórios e o estado de transposição. Os guias de transparência salarial por país da TalentUp são um ponto de partida.
  2. Desenhe segundo o padrão mais exigente. Partilhar um intervalo salarial antes da primeira entrevista e nunca perguntar pelo histórico salarial já é obrigatório em alguns países e será obrigatório em todos os países da UE quando a Diretiva for transposta. Uma regra única para todo o grupo é mais simples do que muitas exceções locais.
  3. Construa uma única arquitetura de funções. As comparações de “trabalho de igual valor” exigem uma forma coerente de avaliar funções com base em competências, esforço, responsabilidade e condições de trabalho. Um enquadramento comum a todos os países torna os relatórios locais coerentes e defensáveis.
  4. Respeite as convenções salariais locais. Os anúncios austríacos indicam o salário bruto mensal e o mínimo da convenção coletiva, Espanha e Itália repartem muitas vezes o salário anual por 13 ou 14 prestações e o Reino Unido indica salários anuais. Use uma única política com modelos por país, como descrito no nosso guia sobre anúncios de emprego com salário transparente.
  5. Reutilize os seus dados de reporte. O registo retributivo de Espanha, o índice de França, os relatórios de disparidade salarial de género da Irlanda e do Reino Unido e o relatório bienal de Itália baseiam-se nos mesmos dados de processamento salarial. Construa um único conjunto de dados por sexo, categoria profissional e componente remuneratória e gere a partir dele cada relatório nacional.
  6. Baseie os intervalos em dados de mercado locais. Os intervalos publicados são imediatamente comparados com o mercado. Ancore-os em dados atualizados de cada país, por exemplo com o benchmark salarial gratuito de transparência salarial; o nosso artigo sobre benchmarking salarial para cumprir a transparência salarial da UE explica como.
  7. Prepare as chefias para culturas diferentes. Na Noruega, uma conversa aberta sobre salários é normal; noutros países pode parecer intrusiva. Forme as chefias para explicarem como a remuneração é definida e audite primeiro a equidade interna, como se explica em A transparência salarial pode ter efeitos negativos? e em salários de mercado vs. equidade interna.

Decida também até onde quer ir além do mínimo legal. Alguns empregadores publicam intervalos em todos os anúncios na Europa como opção de employer branding; outros só os partilham antes da entrevista onde a lei o exige. O nosso artigo sobre quanta informação salarial partilhar ajuda-o a decidir.

Em resumo: a transparência salarial na Europa sempre dependeu do sítio para onde se olha: anúncios na Áustria, registos retributivos em Espanha, um índice de igualdade em França, listas fiscais na Noruega. A Diretiva da UE eleva o patamar mínimo para todos, mas as regras nacionais, os calendários de transposição e os hábitos culturais vão continuar a diferir durante anos. As empresas presentes em vários países que definirem um padrão único e exigente, assente numa única arquitetura de funções e apoiado em dados de mercado locais, vão gerir essa diversidade muito melhor do que as que reagem país a país.

Fontes

Perguntas frequentes

Que países europeus exigem a indicação do salário nos anúncios de emprego?

A Áustria exige desde 2011 a indicação nos anúncios da remuneração mínima prevista na convenção coletiva ou na lei, e a Lituânia exige desde 2019 o salário base ou o intervalo salarial. A Polónia obriga desde dezembro de 2025 a informar os candidatos do salário inicial ou do intervalo antes da primeira entrevista. Outros países seguirão ao transporem a Diretiva europeia de transparência salarial, que exige informação salarial antes da entrevista, mas não necessariamente no próprio anúncio.

A transparência salarial é igual em todos os países da UE?

Não. A Diretiva europeia de transparência salarial fixa regras mínimas comuns, mas só se aplica através das leis nacionais depois de transposta, e os países podem manter regras mais exigentes. Em setembro de 2026, apenas alguns Estados-Membros a tinham transposto por completo, pelo que as regras nacionais em vigor continuam a definir a maioria das obrigações.

Que países já exigem relatórios sobre a disparidade salarial de género?

Vários já o faziam antes da Diretiva: o Reino Unido (250 ou mais trabalhadores desde 2017), o índice de igualdade de França (50 ou mais trabalhadores), a Irlanda (50 ou mais trabalhadores desde 2025), o relatório bienal de pessoal de Itália (mais de 50 trabalhadores), o registo retributivo de Espanha (todas as empresas), a Alemanha (relatórios para alguns empregadores com mais de 500 trabalhadores) e os relatórios internos de rendimentos da Áustria (mais de 150 trabalhadores).

É possível ver o salário de outras pessoas na Noruega, na Suécia ou na Finlândia?

Em parte. A Noruega publica em listas fiscais pesquisáveis o rendimento líquido, o património e os impostos pagos de cada contribuinte, a Finlândia publica a informação fiscal pública todos os anos em novembro e, na Suécia, o rendimento total do trabalho é público mediante pedido. São dados de rendimentos e impostos, não salários por função.

Como se deve preparar uma empresa que opera em vários países europeus?

Mapeie as obrigações país a país e, depois, defina um padrão único para todo o grupo ao nível mais exigente que enfrenta, como partilhar os intervalos salariais antes da entrevista em todos os países. Construa uma arquitetura de funções comum, com critérios de avaliação neutros em termos de género, e baseie os intervalos em dados de mercado locais.

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Escrito por

Albert Mercadé Laborda

Diretor de marketing

O Albert lidera o marketing e o growth da TalentUp, onde trabalha na interseção entre recursos humanos, remuneração e benefícios e transparência salarial. Transforma os dados salariais da TalentUp em guias práticos que ajudam as equipas de RH e Total Rewards a comparar salários com o mercado, construir estruturas remuneratórias justas e preparar-se para a Diretiva europeia de transparência salarial.

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