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Benefícios

Política de licenças remuneradas: tipos de licença e como desenhá-la

Um guia para empregadores sobre licenças remuneradas além das férias anuais: o mínimo legal na Europa para a licença para cuidadores, por força maior, por falecimento e outras, o que as empresas acrescentam, como estruturar e calcular o custo de uma política, e com que frequência 37 600 anúncios de emprego de 2026 anunciam dias de licença adicionais.

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Casal vestido de branco a puxar malas por um pontão de madeira em direção a bungalows sobre a água e um mar azul-turquesa

Uma política de licenças remuneradas define todos os motivos pelos quais um trabalhador pode ausentar-se do trabalho continuando a ser pago: férias anuais, doença e licenças familiares, além de licenças mais curtas, como a licença para cuidadores, a licença por falecimento, os dias por casamento ou mudança de casa, e os extras que a empresa decide acrescentar, como a licença sabática, dias de voluntariado ou o dia de aniversário. Uma boa política separa o mínimo legal de cada país das melhorias da empresa e explica claramente quanto paga cada tipo de licença e como deve ser pedida.

Este guia aborda os tipos de licenças remuneradas além das férias anuais, as regras mínimas da UE e exemplos por país, como estruturar e calcular o custo de uma política e os dados da TalentUp sobre a frequência com que os anúncios de emprego de 2026 anunciam benefícios de licença. As férias anuais, as licenças parentais e a baixa por doença têm os seus próprios guias: consulte dias de férias na Europa, licenças parentais nos 27 países da UE e dias de baixa ilimitados.

Pontos-chave

  • As licenças remuneradas têm três camadas: o mínimo da UE, a lei nacional e a contratação coletiva, e a política própria da empresa.
  • A Diretiva Europeia relativa à conciliação exige cinco dias úteis de licença para cuidadores por ano e faltas por motivo de força maior, mas deixa a remuneração à lei nacional.
  • As licenças curtas remuneradas variam muito de país para país: Espanha concede 15 dias de calendário por casamento e França quatro dias úteis.
  • Mantenha os tipos de licença legais separados; use uma bolsa flexível apenas para os extras da empresa.
  • Nos dados da TalentUp de 2026, apenas 6,6% dos anúncios de emprego anunciam um benefício de licença além das férias habituais.
  • Onde a Diretiva Europeia de Transparência Salarial já foi transposta, as licenças melhoradas podem contar como remuneração em espécie, pelo que as regras de elegibilidade devem ser objetivas.

Tipos de licenças remuneradas: visão geral

A maioria dos empregadores europeus lida com as mesmas famílias de licenças. O que muda de país para país é quem paga (o empregador, a segurança social ou ninguém), durante quanto tempo e se a licença é um direito legal ou um benefício da empresa.

Tipo de licença Origem habitual Quem paga normalmente Saiba mais
Férias anuais Direito da UE (pelo menos 4 semanas) mais lei nacional Empregador Dias de férias na Europa
Baixa por doença Lei nacional Empregador, segurança social ou ambos Dias de baixa ilimitados
Licenças de maternidade, paternidade e parental Direito da UE e lei nacional Sobretudo a segurança social, por vezes com complemento Licenças parentais na Europa
Licença para cuidadores Mínimo da UE (5 dias), lei nacional Depende do país: remunerada, parcialmente remunerada ou não remunerada Este guia
Licença por força maior Mínimo da UE, lei nacional Depende do país Este guia
Licença por falecimento Lei nacional e contratação coletiva Empregador, quando remunerada Este guia
Licenças por casamento, mudança de casa e deveres públicos Lei nacional e contratação coletiva Empregador, quando remunerada Este guia
Dias de redução do tempo de trabalho (RTT, ADV, ATV) Regras sobre tempo de trabalho e contratação coletiva Empregador Este guia
Licença sabática, dias de voluntariado, de aniversário, de bem-estar Política da empresa (França: licença sabática legal não remunerada) Empregador, se remunerada Este guia

A tabela mostra porque é que um número global único de “dias de folga” raramente funciona na Europa: algumas licenças são pagas pelo Estado, outras são protegidas por lei mas não remuneradas, e outras só existem porque uma empresa decidiu oferecê-las.

O mínimo da UE: licença para cuidadores e por força maior

A Diretiva (UE) 2019/1158 relativa à conciliação, que os Estados-Membros tinham de transpor até agosto de 2022, acrescentou dois direitos de licença curta que se aplicam a todos os trabalhadores:

  • Licença para cuidadores (artigo 6.º): pelo menos cinco dias úteis por ano para prestar cuidados ou apoio pessoal a um familiar, ou a uma pessoa que viva no mesmo agregado familiar, que necessite de cuidados ou apoio significativos por um motivo médico grave. Os países podem definir outro período de referência, por exemplo por pessoa ou por caso, e podem exigir comprovativo.
  • Faltas por motivo de força maior (artigo 7.º): o direito de faltar por razões familiares urgentes em caso de doença ou acidente que tornem indispensável a presença imediata do trabalhador. Os países podem limitá-las por ano, por caso ou ambos.

A Diretiva não exige que a licença para cuidadores nem as faltas por força maior sejam remuneradas; só exige remuneração para as licenças de paternidade e parental. É por isso que o mesmo direito europeu se traduz em benefícios muito diferentes no terreno.

País Licença para cuidadores Força maior / faltas por razões familiares urgentes Remuneração
Espanha 5 dias por acidente ou doença grave, hospitalização ou intervenção cirúrgica que exija repouso domiciliário de um familiar ou coabitante (ET art. 37.3.b) Ausência por razões familiares urgentes; até 4 dias por ano de horas de ausência remuneradas (ET art. 37.9) Paga pelo empregador
Alemanha Até 10 dias úteis para organizar cuidados numa situação aguda (PflegeZG §2) Ausências pessoais curtas e imprevistas ao abrigo do §616 do BGB O empregador só paga se a lei ou o contrato o previrem; caso contrário, há um subsídio de apoio aos cuidados (Pflegeunterstützungsgeld) do seguro de dependência
Países Baixos Licença de cuidados de curta duração até o dobro das horas semanais de trabalho por cada 12 meses (kortdurend zorgverlof) Licença de emergência (calamiteitenverlof) Pelo menos 70% do salário na licença de cuidados de curta duração (nunca abaixo do salário mínimo), salvo disposição diferente da convenção coletiva
Reino Unido Uma semana de licença para cuidadores por cada 12 meses, desde o primeiro dia Tempo razoável para assistência a dependentes em situações de emergência Não remunerada por lei; o empregador pode pagá-la

Pagar alguns dias de licença para cuidadores acima do mínimo legal é uma melhoria relativamente barata. A procura é real: os cuidadores são muitas vezes profissionais a meio da carreira e, sem uma política clara, acabam por usar férias ou dias de baixa para prestar cuidados.

Falecimento, casamento e outras licenças curtas remuneradas

Muitos países europeus, sobretudo no sul, preveem na legislação laboral um conjunto de licenças curtas por “acontecimentos de vida”, que a contratação coletiva frequentemente melhora. Dois exemplos mostram a amplitude das diferenças.

Acontecimento Espanha (Estatuto de los Trabajadores, art. 37.3) França (Code du travail, L3142-4, mínimo)
Casamento ou união de facto registada do próprio 15 dias de calendário 4 dias
Falecimento de cônjuge, companheiro ou familiar próximo 2 dias (+2 se houver deslocação), familiares até ao segundo grau 3 dias (cônjuge, companheiro, pai ou mãe, sogro ou sogra, irmão ou irmã)
Falecimento de um filho 2 dias (+2 com deslocação) 12 dias, ou 14 se o filho tivesse menos de 25 anos
Nascimento ou adoção Coberto pela licença por nascimento (ver o guia de licenças parentais) 3 dias
Mudança de casa 1 dia Não previsto no Code du travail
Dever público ou cívico (p. ex., votar, júri) O tempo necessário Coberto por regras próprias

Os dias em França são dias úteis (jours ouvrables) e constituem um mínimo que a contratação coletiva pode melhorar.

No Reino Unido, o direito geral à licença por falecimento ainda está em construção: já existe uma licença parental por luto de duas semanas, e o Employment Rights Act 2025 acrescenta um direito mais amplo a licença por falecimento não remunerada, cuja entrada em vigor está prevista para 2027. Muitos empregadores britânicos já pagam a licença por luto por política interna.

As licenças para estudos e exames, para consultas médicas e para deveres cívicos também existem em muitos países, mas os pormenores dependem da lei nacional e das convenções setoriais. Consulte a convenção coletiva aplicável antes de redigir uma política para todo o grupo: muitas vezes concede mais do que a lei.

Extras da empresa: licenças sabáticas, voluntariado e dias de bem-estar

Para além do mínimo legal, os empregadores usam licenças adicionais para se destacarem. As formas mais comuns são:

  • Férias adicionais e dias por antiguidade: mais dias do que o mínimo, dias que aumentam com a antiguidade, ou os dias 24 e 31 de dezembro livres. O guia de dias de férias apresenta os níveis de férias por país.
  • Compra e venda de férias: os trabalhadores podem comprar dias adicionais através de salary sacrifice ou de orçamentos de benefícios flexíveis, uma prática comum no Reino Unido, na Irlanda e nos Países Baixos.
  • Licença sabática: uma pausa mais longa, remunerada ou não, muitas vezes após vários anos de antiguidade. Em França, o congé sabbatique é um direito legal: não remunerado, com suspensão do contrato, normalmente de 6 a 11 meses, após pelo menos 36 meses de antiguidade e seis anos de atividade profissional, salvo se um acordo fixar outras condições. Na Alemanha, as licenças sabáticas são muitas vezes financiadas através de contas de tempo de trabalho.
  • Dias de voluntariado: um a três dias remunerados por ano para trabalho comunitário, frequentes nos benefícios empresariais do Reino Unido e da Irlanda.
  • Dia de aniversário: um dia ou meio dia de folga no dia do aniversário do trabalhador ou perto dessa data.
  • Dias de bem-estar ou de saúde mental: alguns dias remunerados que não são baixa por doença e não exigem justificação. Consulte o nosso guia sobre o bem-estar integral nas recompensas.
  • Férias ilimitadas: raras na Europa e sempre acima do mínimo legal, que continua a ter de ser gozado (ver o guia de dias de férias para perceber como funcionam ao abrigo das regras da UE).

Um caso relacionado é a baixa menstrual em Espanha. Desde 2023, a menstruação incapacitante secundária é uma situação especial de incapacidade temporária ao abrigo da Ley General de la Seguridad Social (art. 169). Funciona como uma baixa por doença: o empregador paga o primeiro dia e a segurança social paga a prestação a partir do dia seguinte, sem os habituais dias de espera. Trata-se de uma prestação da segurança social, não de uma licença remunerada adicional financiada pelo empregador.

Com que frequência os anúncios de emprego anunciam licenças adicionais: dados TalentUp 2026

6,6%

dos anúncios de emprego anunciam um benefício de licença além das férias habituais

3,9%

dos anúncios alemães mencionam uma licença sabática, a taxa mais elevada da amostra

3,1%

dos anúncios britânicos oferecem dias de voluntariado, e outros 3,1% o dia de aniversário

8,7%

dos anúncios franceses mencionam dias de RTT

Fonte: base de dados de anúncios de emprego da TalentUp, janeiro–setembro de 2026, cerca de 37 600 anúncios em 12 países (excluindo agências de recrutamento). Ver metodologia abaixo.

Os benefícios de licença são uma mensagem de recrutamento minoritária. Numa amostra aleatória de cerca de 37 600 anúncios de emprego com descrição completa, apenas 6,6% mencionam pelo menos um benefício de licença além das férias habituais: férias adicionais ou que podem ser compradas, dias de redução do tempo de trabalho, licença sabática, dias de voluntariado, dia de aniversário, dias de bem-estar ou férias ilimitadas.

País Anúncios (n) Alguma licença adicional Férias adicionais ou compradas Dias RTT / ADV / ATV Licença sabática Dias de voluntariado Dia de aniversário
Bélgica 1 926 10,6% 3,6% 7,3% 0,1% 0,3% 0,1%
Reino Unido 3 377 10,4% 5,3% 0,0% 0,3% 3,1% 3,1%
França 3 876 9,8% 1,1% 8,7% 0,0% 0,2% 0,1%
Países Baixos 3 852 9,8% 3,0% 4,4% 1,4% 0,5% 0,6%
Alemanha 3 209 8,8% 5,2% 0,0% 3,9% 0,4% 0,1%
Irlanda 3 548 7,4% 4,0% 0,0% 0,3% 2,5% 1,0%
Áustria 2 445 5,9% 3,4% 0,1% 2,0% 0,3% 0,6%
Polónia 1 407 5,7% 4,3% 0,0% 0,4% 1,0% 1,1%
Espanha 3 459 4,8% 1,1% 0,5% 0,2% 0,5% 2,5%
Portugal 3 391 4,5% 2,4% 0,1% 0,5% 0,8% 1,0%
Suécia 3 653 1,2% 0,9% 0,0% 0,1% 0,2% 0,1%
Itália 3 473 0,9% 0,3% 0,1% 0,1% 0,2% 0,3%
Total 37 616 6,6% 2,7% 1,8% 0,8% 0,8% 0,9%

O que os dados mostram:

  • Cada país tem o seu próprio vocabulário de licenças. Os anúncios franceses falam de dias de RTT (réduction du temps de travail), os belgas e neerlandeses de dias ADV/ATV, os alemães e austríacos de licenças sabáticas e Sonderurlaub, e os britânicos e irlandeses de dias de voluntariado e de compra de férias.
  • O dia de aniversário é um favorito em Espanha e no Reino Unido: 2,5% dos anúncios espanhóis e 3,1% dos britânicos mencionam-no, contra menos de 1% na maioria dos outros países.
  • As férias ilimitadas e os dias de bem-estar são marginais: cada um surge em apenas 0,2% dos anúncios.
  • A licença para cuidadores e a licença por luto quase nunca são anunciadas: cerca de 0,1% dos anúncios (52 no total) mencionam-nas, embora sejam importantes para muitos candidatos.
  • A Suécia e a Itália quase não anunciam licenças adicionais (cerca de 1%), muito provavelmente porque aí as licenças são definidas sobretudo pela lei e pela contratação coletiva, e não por cada empregador.

A lição para os empregadores é simples: se oferece licenças acima do mínimo legal, diga-o no anúncio de emprego. Como poucos concorrentes o fazem, uma frase clara como “3 dias de voluntariado remunerados e o dia de aniversário livre” destaca-se.

Como desenhar uma política de licenças remuneradas

Uma política de licenças remuneradas para uma força de trabalho europeia funciona geralmente melhor como um quadro comum com anexos por país. Estes são os passos:

  1. Mapear o mínimo legal por país. Enumere todos os tipos de licença legais, a sua duração, quem paga e o comprovativo exigido, incluindo o que a convenção coletiva aplicável acrescenta.
  2. Definir a filosofia de melhorias. Pretende os mesmos extras em todo o lado (por exemplo, dois dias de voluntariado e o dia de aniversário) ou um nível ajustado ao mercado de cada país? Associe a escolha à sua filosofia de compensação.
  3. Escolher a estrutura: tipos separados ou uma bolsa flexível. Ver a secção seguinte.
  4. Fixar as regras de remuneração de cada tipo. Remuneração total, complemento até à remuneração total sobre uma prestação da segurança social, remuneração parcial ou não remunerada mas protegida.
  5. Definir a elegibilidade de forma objetiva. Os requisitos de antiguidade (por exemplo, licença sabática após cinco anos) são comuns; garanta que se aplicam igualmente aos trabalhadores a tempo parcial, de forma proporcional.
  6. Redigir regras simples de pedido e de comprovação. As licenças curtas devem ser fáceis de gozar; peça comprovativos apenas quando a lei o permite e apenas o que for necessário.
  7. Definir as regras de transição e de pagamento. As férias anuais legais têm as suas próprias regras decorrentes do direito da UE e da jurisprudência do TJUE (ver o guia de dias de férias); os extras da empresa podem caducar no final do ano se a política o disser claramente.
  8. Comunicar a política. Inclua-a no manual do colaborador, nas propostas de contratação e nos anúncios de emprego, e forme as chefias para que as aprovações sejam coerentes.

Bolsa única de dias de folga vs. tipos de licença separados

Tipos de licença separados Bolsa única de dias de folga
Como funciona Dias fixos para cada motivo (férias, cuidados, falecimento, etc.) Uma única bolsa de dias que o trabalhador usa por qualquer motivo
Adequação ao direito europeu Forte: cada licença legal mantém as suas próprias regras Fraca para licenças legais: férias anuais, baixa por doença e licenças familiares não podem simplesmente ser fundidas
Experiência do trabalhador Clara, mas menos flexível Flexível, sem necessidade de justificar o motivo
Principal risco Esforço administrativo, categorias rígidas Trabalhadores que esgotam a bolsa em férias e depois trabalham doentes
Melhor utilização na Europa Licenças legais e por acontecimentos de vida Extras da empresa: dias pessoais, de aniversário, de bem-estar ou de voluntariado

Um modelo híbrido prático é comum: as licenças legais mantêm-se separadas e a empresa acrescenta uma pequena bolsa flexível de dias pessoais. Recorde-se também que, nos termos da Diretiva relativa ao tempo de trabalho (2003/88/CE, art. 7.º), o mínimo de quatro semanas de férias anuais não pode ser substituído por uma compensação financeira, exceto em caso de cessação da relação de trabalho.

O custo das licenças remuneradas e a gestão do absentismo

Cada dia de licença remunerada tem um custo, mesmo que ninguém seja contratado para o cobrir. Uma forma rápida de o estimar:

  • Custo de um dia = custo anual para o empregador (salário + contribuições sociais da entidade empregadora) ÷ dias úteis por ano.
  • Exemplo ilustrativo: um trabalhador com um custo total para o empregador de 60 000 € e cerca de 220 dias úteis custa aproximadamente 273 € por dia. Dois dias de voluntariado e o dia de aniversário para 200 trabalhadores representam cerca de 600 dias, ou aproximadamente 164 000 € de tempo remunerado por ano, sobretudo como capacidade perdida e não como despesa adicional.

É por isso que muitos empregadores veem as licenças adicionais como um dos benefícios com melhor relação custo-eficácia: são muito valorizadas, mas muitas vezes absorvidas pela própria equipa. São uma boa opção quando há pouca margem para aumentos salariais (ver o que os RH podem oferecer além do salário).

Para a gestão do absentismo:

  • Acompanhe por tipo de licença, e não apenas em “dias de folga”, para perceber para onde vai realmente o tempo e verificar que as pessoas gozam as férias legais.
  • Trate a informação de saúde como dados sensíveis: ao abrigo do RGPD, os dados de saúde são uma categoria especial, pelo que deve recolher apenas o necessário para a baixa por doença ou a licença para cuidados.
  • Esteja atento à subutilização. Uma baixa adesão aos dias para cuidadores ou de bem-estar pode indicar que as chefias os desencorajam, o que transforma um benefício escrito num benefício desigual.

Licenças remuneradas, equidade e a Diretiva Europeia de Transparência Salarial

A Diretiva Europeia de Transparência Salarial (2023/970) define remuneração como o salário ou vencimento de base ou mínimo normal mais quaisquer outras prestações, em dinheiro ou em espécie, que o trabalhador recebe do empregador. Os Estados-Membros tinham de a transpor até 7 de junho de 2026, e as suas obrigações aplicam-se através das leis nacionais após a transposição. Os benefícios de licença melhorados podem, por isso, fazer parte da remuneração total na análise de equidade salarial e na avaliação de funções.

Na prática:

  • Baseie a elegibilidade em critérios objetivos e neutros do ponto de vista do género. Licenças adicionais limitadas a níveis seniores, a trabalhadores a tempo inteiro ou a determinados contratos têm de ser justificáveis.
  • Verifique o efeito, não apenas a regra. Se as licenças sabáticas ou os dias adicionais beneficiarem sobretudo um grupo, podem aumentar a disparidade na remuneração total, mesmo que a política pareça neutra.
  • Documente a fundamentação das diferenças de licenças por nível, antiguidade ou país, tal como para as bandas salariais.
  • Inclua as licenças nas declarações de remuneração total para que os trabalhadores vejam o valor completo do seu pacote.

Para o contexto mais amplo, consulte o que os RH precisam de saber sobre a lei europeia de transparência salarial de 2026 e o nosso guia de benefícios para colaboradores. Para verificar se a componente monetária do pacote é competitiva antes de acrescentar licenças, use dados de mercado construídos com a metodologia de benchmarking salarial da TalentUp ou o European Salary Benchmark Report.

Fontes

Perguntas frequentes

O que deve incluir uma política de licenças remuneradas?

Deve enumerar todos os tipos de licença que a empresa oferece, quantos dias concede cada um, quem tem direito, quanto é pago, como se pede, que comprovativo é necessário e o que acontece aos dias não gozados. Deve separar claramente o mínimo legal de cada país daquilo que a empresa acrescenta.

Quais são os principais tipos de licenças remuneradas?

As férias anuais, a baixa por doença e as licenças familiares (maternidade, paternidade, parental) são a base. A estas somam-se licenças curtas, como a licença para cuidadores, por força maior, por falecimento, por casamento e por mudança de casa, e extras da empresa, como licenças sabáticas, dias de voluntariado, dia de aniversário e dias de bem-estar.

A licença para cuidadores é remunerada na UE?

A Diretiva (UE) 2019/1158 relativa à conciliação exige cinco dias úteis de licença para cuidadores por trabalhador e por ano, mas não obriga a que seja remunerada. O pagamento depende da lei nacional: Espanha paga cinco dias de licença por doença grave de um familiar, enquanto a semana de licença para cuidadores do Reino Unido não é remunerada.

Deve usar-se uma bolsa única de dias de folga ou tipos de licença separados?

Na Europa, as férias anuais legais, a baixa por doença e as licenças familiares seguem regras jurídicas diferentes, pelo que a maioria dos empregadores as mantém separadas. Uma bolsa combinada funciona melhor para os extras da empresa, como dias pessoais, de aniversário ou de bem-estar, para além dos direitos legais.

As licenças remuneradas contam para a Diretiva Europeia de Transparência Salarial?

A Diretiva define remuneração como o salário mais quaisquer outras prestações, em dinheiro ou em espécie, pelo que os benefícios de licença melhorados podem fazer parte da remuneração total quando as leis nacionais se aplicarem. As diferenças de licenças entre grupos de trabalhadores devem assentar em critérios objetivos e neutros do ponto de vista do género.

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Escrito por

TalentUp Team

Inteligência salarial e análise de RH

A equipa da TalentUp reúne consultores de remuneração, analistas de dados e especialistas de RH. Publicamos estudos baseados em dados salariais de mais de 475 funções em 75 países para ajudar as empresas a remunerar de forma justa e competitiva.

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